DESCARTES

RACIONALISMO - DESCARTES (1596 - 1650) Primeiro grande filósofo dos tempos modernos.

Pai da Filosofia Moderna. _ Notabilizou-se na Filosofia, Física, e na Matemática - Geometria Descritiva.

Apresenta-se como um novo Sócrates, missão renovadora que passa pelo método.

Ciência Universal.

Através da metafísica procura fundamentar todos os ramos - Física, Matemática e Moral

 

Método

 

Apresenta o próprio caminho que seguiu.

A necessidade de um novo método prende-se com a desorganização que havia na altura

A lógica serve mais para explicar aquilo que já conhecemos do que para nos levar ao conhecimento.

Na Álgebra e na Geometria Descritiva ele vê um pouco, tendo a Matemática como modelo (consiste em ter um princípio simples, evidente apreendido por intuição ou dedutivo.)

 

Método:

I - Intuição

II - Dedução:

- Análise

- Síntese

- Enumeração

 

Pondo tudo em dúvida, ele procura um ponto de partida para fundamentar o seu método

principio intuitivo - evidente - ideia clara e distinta, princípio que resiste a toda a dúvida.

 

Descartes distingue três tipos de ideias:

Inatas - ideias que nascem connosco - necessariamente verdadeiras.

Fictícias - são fundo da nossa imaginação - depende da nossa mente e imaginação.

Adventícias - não existem no nosso espírito desde o início, com "clareza".

Resistir a toda a dúvida (dúvida metódica) - dúvida cartesiana / universal - meio para

atingir a manifestação evidente da realidade.

 

Dúvida Cartesiana é de ordem teórica, especulativa quando ele trata do problema

moral. Esta dúvida não é de ordem prática e é neste sentido que se pode dizer que é

universal.

 

Conhecimento - Própria existência enquanto implicada no acto do pensamento.

É através da dúvida que ele chega ao Cogito (tudo o que pode ser pensado sem

mais), modelo da ideia.

Princípios formais - abstractos que regulam a mente. A própria existência pessoal

enquanto implica no acto de pensar.

Cogito - é através deste que consegue chegar à distinção entre Corpo e Alma.

O modo de chegar ao Cogito - é este que contém a sua filosofia.

Descartes - parte da realidade interior - do eu.

 

1 Princípio - Cogito (princípio evidente) - alicerce do sistema de Descartes, ao qual ele chegou aplicando a intuição.

Para Descartes não só a intuição é fonte de conhecimento, mas também a dedução - Processo dedutivo.

Dedução: aplicamos a dedução quando as coisas não são conhecidas de imediato.

Processo dedutivo: a partir de princípios claros chegamos a princípios não evidentes.

Processo da análise: dividir cada uma das dificuldades.

 

Cogito - é o modelo da ideia clara e distinta, todas as ideias que assim se apresentam

são ideias verdadeiras, não requerem fundamentação.

Partindo do que é evidente, começa o processo dedutivo.

Para assegurar o processo dedutivo a partir do Cogito são necessárias:

 

1 prova - a existência de Deus.

2 prova - veracidade divina.

 

É em função do próprio sistema, do próprio método que ele tem necessidade de provar a veracidade (verdadeiro) de Deus e a sua existência, pois só um Deus verdadeiro faz ver que não nos enganamos no processo dedutivo.

 

PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

 

Dois modos:

a partir do efeito - prova "a posteriori" (duas provas)

a partir da essência do mesmo Deus (argumento ontológico)

 

1 modo - "a posteriori"

As provas são distintas:

1 prova - ideia exige um ser que tenha perfeição, que está contida nessa mesma ideia (princípio de causalidade).

- ideia infinitamente perfeita, logo existe Deus - argumento ideológico.

- prova do seguinte modo: Descartes não parte da realidade da ideia, mas do conteúdo dessa ideia.

 

2 prova - apoia-se na 1 prova.

Caracteriza-se pelo facto de eu poder ser o ser infinitamente perfeito.

Um ser imperfeito não pode dar-se a si mesmo a existência; ser eu a causa de mim mesmo, esta causa é Deus.

 

3 prova - Tenho de buscar uma explicação para a minha existência presente, logo tem que haver um ser superior a mim, perfeito que me dê a existência, esse ser é Deus, logo Deus existe.

Só posso conhecer o finito como finito a partir da ideia de infinito,

Esta ideia tem como suporte a 1 prova.

 

2 modo - a partir da essência de Deus - argumento ontológico.

 

O que se apreende clara e distintamente, deve afirmar-se como verdadeiro; apreende-se clara e distintamente que Deus existe, e que a existência de Deus é uma característica imprescindível da sua essência; assim a existência de Deus deve afirmar-se como verdadeira

Partir-se-ia da ideia de Deus para a realidade, em Descartes não se parte exclusivamente da ideia, mas a natureza de Deus enquanto incluída, na ideia que eu tenho de Deus

Alguns atributos em Descartes.

Descartes admite todos os atributos da Teodiceia Clássica.

Particularidades características de Descartes:

- veracidade divina, e como tal não pode enganar-nos.

- existência de Deus.

 

l) Deus é uma substância, deveríamos dizer que Ele é a única substância. (art.51 princípios)

Uma coisa que existe de tal maneira só tem necessidade de si própria de existir... só Deus é isso.

Descartes não percebeu a doutrina tradicional da substância, para ele esta palavra (substância) aplica-se somente a Deus e às criaturas. Descartes não percebeu que esta substância era analogia.

Com toda a propriedade só Deus é substância.

2) Deus como "causa sui" (causa sua), e fundamentalmente uma concepção de Deus como uma aparentemente contraditória. Esta expressão quer dizer potência absoluta inteiramente última de Deus, que é o Ser máximo, o Ser por excelência, o Ser sumamente perfeito.

3) Concepção de Deus como criador, segundo Descartes o objecto da criação não entende somente as coisas existentes neste momento, mas também aos meramente possíveis, às verdades eternas. Deus criou com plena liberdade de arbítrio todas as coisas.

Voluntarismo rígido das coisas porque Deus quer.

Descartes não faz distinção entre a vontade e a inteligência.

Para Descartes as criaturas mantém-se por uma temporalidade descontínua. Ele entra em contradição consigo mesmo.

4) A veracidade divina. Deus é veraz. Só um Deus verdadeiro pode ser fundamento da nossa veracidade. Deus é um ser infinitamente perfeito, logo Deus não pode enganar.

Como Deus é o autor da nossa razão, se a usarmos bem, não podemos enganar-nos.

Quando temos uma ideia clara e distinta, não nos podemos enganar. Porque as ideias claras e distintas foram postas na nossa alma, logo são verdadeiras, logo Deus é verdadeiro.

Sem conhecer Deus, nada podemos conhecer com perfeição.

Aos olhos de Descartes um ateu não pode conhecer com perfeição, é daqui que surge o círculo cartesiano.

Círculo cartesiano: a Deius chega-se pela razão, mas Deus não é o primeiro na

ordem lógica, mas Deus é que nos garante a razão. O primeiro é o sujeito pensante, mas como Deus é o primeiro na ordem Ontológica, é que uma vez conhecido, Ele garante a

verdade lógica.

A razão erra sempre por acidente.

Na ordem lógica se exige Deus para garantir a essência da verdade.

A concepção do Homem - dualismo antropológico: (alma e corpo, e como agem entre si)

 

A Deus chega-se pela razão - Descartes.

 

Qual é a concepção de homem em Descartes?

 

Corpo e Alma, como substâncias distintas embora unidas.

Problema Antropológico: Alma tem distinção de Corpo

 

Prova para esta distinção: duas coisas das quais temos ideias claras e distintas, são realmente distintas, podem-se separar por virtude ou pelo poder de Deus.

Temos ideias claras e distintas da alma e do corpo, logo alma e corpo distinguem-se.

A essência da alma é o pensamento

A essência do corpo é a extensão

(modos que se encontram na substância)

 

Alma e corpo para Descartes sem deixarem de ser substâncias separadas identificam-se com o pensamento e com a extensão. Tudo mais que acontece no corpo são modos do pensamento e da extensão.

 

Três grandes substâncias separadas em Descartes:

- Deus

- Pensamento

- Matéria

 

Pensamento como essência da alma.

Não é o acto de pensar que constitui a essência da alma, mas sim o facto da alma pensar, mas não um determinado acto. Entre a alma e o pensamento existe para Descartes uma espécie de distinção real, distinção da razão.

É mais fácil conhecer uma substância pensante. Para nós não há nada de mais evidente do que a existência da alma, é porque a alma se atinge como ser pensante independentemente do corpo. A alma é imortal, logo é imaterial.

 

Alma + Corpo = união em Descartes

 

Sendo substâncias separadas, logo os seus actos são diferentes, os actos intelectuais

são diferentes dos actos corporais, com os quais não tem nada a ver.

A união entre alma e corpo não é - de caracter acidental, admite uma interacção

mútua. A alma está unida ao corpo.

É necessário saber que a alma está unida ao corpo. Esta união (substancial - forma e

matéria) não é entendida como na Filosofia Escolástica.

 

União em Descartes

 

União de interacção e é para explicar esta união que Descartes recorre à glândula pinial

Esta acção da glândula pinial sobre o corpo seria os espíritos animais, estes seriam uma matéria subtil aquecida no coração, depois subia ao cérebro e passaria pela glândula, uma vez no cérebro passaria a tomar a função de orientadora dando origem aos movimentos que fazemos. .

A união entre Alma e Corpo é de índole misteriosa em Descartes.

- Alma e Corpo são substâncias separadas, uma vez que são distintas.

- A união entre Alma e Corpo não é necessária, mas contingente.

- Alma e Corpo encontram-se unidos, e enquanto unidos serão substâncias incompletas, porque Deus assim quis.

Foi Deus que quis unir duas substâncias que são completas, mas foi Ele que assim quis. Logo esta união é de interacção, união de compreensão.

Este dualismo - dificuldade criada pelo dualismo antropológico não se manifestam nos actos .

Descartes reduz as sensações apenas ao pensamento.

 

SENSACÕES:

- Descartes reduz a sensação ou só a Alma ou só o Corpo.

- Descartes reduz a sensação à Alma, porque a sensação é um pensamento embora confuso. Não há uma operação que resulte do Corpo e da Alma.

Entre Corpo e Alma há uma interacção e Descartes atribui ao Corpo certos movimentos, e estes influenciam a Alma e a Alma por sua vez influencia os movimentos.

A operação que resulta é só da Alma, ou só do Corpo.

As operações sensitivas são só da Alma.

Descartes faz uma distinção entre entendimento e vontade de características próprias do entendimento. Ex. : juízo.

 

Vontade é o aspecto mais nobre do homem.

Juízo é um acto formal, mas de vontade.

A Verdade dá-se no Juízo e este é um acto da vontade.

 

O erro para Descartes provém da precipitação da vontade em julgar.

Esta concepção voluntarista do Juízo é atenuado: o entendimento e a vontade são dois aspectos da própria Alma.

Alma enquanto passiva - conhece, logo é entendimento.

Alma enquanto activa - quer, logo é vontade.

 

Conhecer e querer são somente dois aspectos diversos da mesma realidade, não são duas faculdades distintas. Quem decide é a vontade, por isso, é o aspecto mais nobre para Descartes.

 

Descartes:

- Sabe que Ele existe.

- Deus que existe é verdadeiro.

- Sabe que é composto - ele mesmo pelo pensamento e pela extensão Alma / Corpo.

 

A EXISTÊNCIA DO MUNDO EXTERIOR:

Descartes diz que nós temos ideias confusas, quanto à existência do mundo exterior, que nos levam a afirmar a existência do exterior, mas tudo está afectado pela dúvida metódica.

Ideias confusas produzidas por mim ficam excluídas porque estas ideias confusas criam-se em mim.

PROVA DA EXISTÊNCIA DO MUNDO EXTERIOR - Ideias confusas são produzidas pelas coisas exteriores, logo existe o mundo exterior, e tudo aquilo que eu vejo clara e distintamente me leva a crer.

 

Qual a natureza desse mundo exterior?

 

QUALIDADES PRIMÁRIAS DO MUNDO EXTERIOR:

 

A extensão: a própria essência das coisas.

O movimento: qualidades ou modo da extensão.

 

Tudo o que existe no mundo exterior reduz-se à extensão e ao movimento, logo são qualidades primárias.

 

Qualidades secundárias: modos de movimento e de extensão, são irreais (Ex.: Cheiro).

 

A modos diferentes temos sensações diferentes.

Descartes afirma que só existe um único mundo, onde a Matéria é a mesma, e com a matéria criou Deus uma quantidade de movimentos que continuam constante.

Não existe o vácuo, o vazio, mas o movimento dá-se só a partes do Universo e não na sua totalidade - Mecanismo Cartesiano - Explicar as actividades dos corpos recorrendo aos movimentos locais.

Não se nega a causalidade do movimento.

Um movimento pode dar origem a outro movimento.

As alterações para Descartes são só de carácter externo, mas não interno.

 

Mecanismo Biológico - é aquele que Descartes defende animal / máquina, onde as

forças Físicas/Químicas determinam a sua evolução (tudo o que o homem é, é explicado

pela físico-química). O vitalismo é contra Descartes, porque estas exigem um princípio

intrínseco explicativo que supere as forças Físico-químicas.

Os seres vivos têm que ter um princípio vital-intrínseco, que não se podem reduzir a

Físico-químicas.

 

O PROBLEMA MORAL:

Descartes não se refere explicitamente ao problema moral.

Descartes mantém-se fiel à Moral Católica.

Três aspectos que o entusiasmam:

- a criação do nada.

- o livre arbítrio.

- o Deus/Homem. (incarnação )

 

Quatro máximas do Discurso Moral - Moral Provisória

 

1- Obedecer às leis e costumes do seu País, conservando a religião em que foi educado, tendo em conta a opinião das pessoas sensatas.

2- Manter a maior firmeza possível nas suas acções e resoluções.

3- Procurar-se vencer de modo ou nada a desejar que não possa adquirir - aquilo que não esteja ao seu alcance.

4- Dedicar-se toda a vida a cultivar a razão numa busca sincera da verdade, onde encontrou a razão que justifica as três anteriores.

 

A moral definitiva reduz-se a três preceitos:

 

1- Procurar servir-se sempre bem da razão, para saber (conhecer) o que fazer em cada momento da vida. Conhecer a Deus cada vez melhor, a imortalidade da Alma, a grandeza

do Universo e as relações entre o indivíduo e a sociedade.

2- Executar com generosidade tudo o que for aconselhado pela razão, lutando continuamente contra as paixões, que não são de ordem racional.

3- Não desejar aquilo que sabemos e não podemos obter, procurando evitar o arrependimento.

 

Racionaliza demasiado a Moral.

 

Só o carácter sobrenatural pode ajudar o Homem no caminho do bem.

 

A conciliação entre a Fé e a razão.

A Fé e a Razão têm domínios diversos. No entanto para Descartes a Fé é racional, mas em caso de aparente conflito a razão devia ceder à Fé.

É um erro querer discutir questões filosóficas e científicas evocando como argumentação aspectos da Fé, são saberes diferentes.

Nota-se em Descartes a falta de estima pela Teologia.

Descartes dá pouca importância às realidades da fé vista esta como racional.

No entanto como homem valoriza a Fé.

A Fé é : uma graça, um acto livre, e isso já chega.

 

Síntese:

Aspectos negativos- Descartes

1- Ideias claras e distintas- para ele são ideias verdadeiras, atribuiu-se um valor de intuição natural, e estas representam directamente o que significam.

Os nossos conceitos não representam a realidade, apenas significam a realidade - o que é substancialmente diferente.

Descartes não deixa lugar para a analogia.

2- Critério da Evidência - critério acanhado.

Descartes tem a necessidade de recorrer á veracidade divina enquanto verdadeiro e que garante a razão. (As nossas ideias sustentam-se sem recorrer a Deus. )

3. Dualismo exagerado entre Alma e Corpo - Dualismo antropológico. Não consegue explicar a sensação.

- nota-se uma certa tendência para o idealismo a reduzir a ideia.

- a matéria é reduzida à quantidade e esta é reduzida ao número.

4 - Voluntarismo cartesiano- exagero que Descartes deu à vontade, por isso, cavou em abismo entre a vontade e o entendimento. Faz uma irracionalização da vontade, mas adquire um certo carácter do racionalismo. Se o necessário depende da vontade então onde está o valor absoluto da razão? Então, a razão está subordinada à vontade.

 

Aspectos Positivos- Descartes.

- É considerado o Pai da Filosofia Moderna, é um autor rico e fecundo em sugestões filosóficas. Dominou o séc. XVII.

- Descartes com o Espírito de emancipação - da corrente do Renascimento.

- O seu sucesso deve-se que as suas sugestões filosóficas correspondem às ânsias daquele tempo.

- Pelo seu radicalismo do conhecimento caracterizou-se no séc. XVII e contribuiu para disciplinar o próprio pensamento, imprimindo um certo rigor no filosofar.

- O seu Cogito chamou à atenção da importância do papel do sujeito no conhecimento.

- Cultivou a Filosofia e as coisas naturais - a Física e a Matemática, assim contribuiu para o saber porque quebrou a barreira entre a Filosofia e Matemática

- Suscitou uma polémica á volta da sua Obra - mas foram contra as suas ideias; outros estavam na mesma linha de pensamento; outros não aderiram à sua filosofia, mas aproveitaram-na. Ex: Espinosa